Número de registro
1849
Classificação/Tipologia
Movimentação
Local atual
Sala 02 América Latina Prataria, Vitrine 5
Tipo de movimentação
Exposição de longa duração
Resumo descritivo
Este fragmento pode ser interpretado como parte de uma urna funerária, pelas características do rosto e tembetá (adorno labial) típicos dos corpos de urnas funerárias amazônicas. As características do fragmento, assim como o contexto em que ele surge na Coleção Boulieu, sugerem que a peça original pode ser atribuída a uma cultura da selva equatoriana. A tradição de enterramentos secundários em urnas funerárias com características antropomorfas é uma marca da arqueologia amazônica. Entende-se por enterramento secundário a prática de cremação ou tratamento do corpo sepultado previamente ao enterramento da urna. Estudos demonstram que muitas das urnas funerárias amazônicas foram utilizadas para enterramentos de múltiplos indivíduos, inclusive animais. Nas partes altas da planície costeira equatoriana e na selva alta andina, as urnas funerárias não apresentam decoração. Podem ser compostas de dois corpos cerâmicos invertidos ou constituídas por três partes (corpo duplo e tampa). Elas não trazem apliques que lhes conferem atribuições antropomorfas ou zoomorfas. Já nas terras baixas tropicais da Amazônia, as urnas são ricamente elaboradas e adornadas como corpos com características antropomorfas e zoomorfas. Nas regiões equatoriana e peruana, as urnas do rio Napo são as mais conhecidas, por apresentarem sofisticada iconografia policroma na superfície das peças. Nas urnas funerárias amazônicas, os traços da face (como olhos, sobrancelhas, nariz e boca) e os adornos da cabeça (diademas, alargadores de orelha, tembetás e pintura facial) sempre estão localizados na tampa ou no gargalo do corpo do recipiente, o que nos leva a interpretar este fragmento como parte da tampa de uma urna funerária.









