Número de registro
1850
Denominação
Classificação/Tipologia
Movimentação
Tipo de movimentação
Exposição de longa duração
Local atual
Sala 02 América Latina Prataria, Vitrine 5
Resumo descritivo
Os artefatos Chorrera espelham o apogeu do desenvolvimento cultural do Formativo equatoriano, período compreendido aproximadamente entre os anos 3000 a.C. e 500 a.C. A origem da produção de centenas de milhares de peças Chorrera para fins cerimoniais, principalmente ritos funerários, é atribuída às populações que ocuparam as atuais províncias costeiras de Manabí, Guayas, Los Ríos, Esmeraldas e Santo Domingo de Táschilas desde meados do segundo milênio da era pré-cristã até o chamado Transicional Chorrera-Bahía, por volta de 500 a.C. As peças arqueológicas atribuídas à cultura Chorrera apresentam expressiva variedade estilística e reúnem amplo repertório artístico, além da variedade de técnicas empregadas em sua confecção. Pode-se associar tal riqueza ao legado adquirido das populações que antecederam o florescimento Chorrera – isto é, ao remoto desenvolvimento cultural Valdívia (ca. 3.500 a.C. a 1.800 a.C.) e Machalilla (ca. 2000 a.C. a 1200 a.C.) –, bem como às interações com populações contemporâneas que ocuparam as terras mais distantes da serra e da costa norte andina. Nas antigas cosmologias ameríndias, as mulheres são associadas às entidades reprodutoras dos ciclos de vida e morte, sempre vinculadas às narrativas de criação, aos rituais funerários, à sazonalidade e às curas. Agem socialmente com a força de animais predadores, das plantas, dos xamãs e dos ancestrais. Esse é o panorama a partir do qual se interpreta a recorrência com que sepultamentos de mulheres e animais de prestígio são encontrados nos contextos mais ricos das câmaras funerárias da costa andina, trazendo consigo oferendas de objetos que expressam sua relação com as entidades criadoras e os espíritos ancestrais. Pela perspectiva dos estudos sobre as origens das civilizações ameríndias, a região equatoriana é mundialmente conhecida pelas Vênus de Valdívia, estatuetas modeladas em barro que figuram entre os artefatos cerâmicos mais antigos do continente americano. Elas foram encontradas em grandes quantidades, associadas a contextos funerários, algumas datadas em quase 6 mil anos. Acredita-se que estatuetas sonoras Chorrera, do Formativo Final, derivam dessa antiga tradição. Teriam inicialmente sido feitas pela técnica de modelagem por rolete e, posteriormente, passaram a ser confeccionadas em maior quantidade com o uso do molde. É curioso notar, também, que em muitas cosmologias andinas os instrumentos sonoros são elementos associados ao mundo dos espíritos e da morte, e por isso aparecem com frequência nos contextos funerários. Ademais, estudos de arqueomusicologia demonstram que flautas, ocarinas, apitos e vasos sonoros produzidos pelos antigos povos andinos mimetizam os sons de pássaros e outros animais, remetendo, assim, a uma conexão entre a terra, o céu e o mundo subterrâneo. Nesta peça Chorrera-Bahía (Transicional), observa-se raro exemplar de estatueta sonora monofônica com apito externo, aparentemente confeccionada pela técnica de modelagem. A figura apresenta corpo de mulher voluptuoso, que alude à morfologia das Vênus, portando um apito globular fixado sobre a cabeça. A interpretação de que o artefato provém do Período Transicional se dá pelo hibridismo entre as características estilísticas típicas do Formativo (pés estilizados de base reta, ausência de braços e a terminação do gargalo em “lábio extrovertido”) e aquelas atribuídas ao Período de Desenvolvimento Regional (especialmente a técnica de pastilhagem para fixar o peitoral e os alargadores de orelha, traço mais comum aos artefatos Bahía).










