As sereias, figuras metade mulher e metade peixe, estão presentes em muitas mitologias. Na Antiguidade, eram aladas e, com seus cantos, seduziam os marinheiros, como tentaram com Ulisses na obra Odisseia. Na época das descobertas, as caravelas eram perseguidas por monstros marinhos, peixes voadores e sereias. Na Bolívia, na região do lago Titicaca, as mulheres-peixes seduziam os homens: Quessintuu e Umantuu são duas irmãs com as quais Tunupa teria pecado. Os fatos fantasiosos do herói Tunupa confundem-se com aqueles míticos tanto dos indígenas como dos conquistadores, porém com a noção de pecado. No folclore boliviano, canta-se o local onde elas habitam, Sirenayoc, na província de Lamba.
Sua representação na arte barroca da região do Peru e da Bolívia, em especial ao redor do lago Titicaca, foi incorporada aos relevos das fachadas das igrejas. Assim, o mito pré-colombiano floresce nos séculos da colonização. Ganham os altares das igrejas, onde tocam harpa, charango e alaúde, convivem com o Sol, a Lua e as estrelas. Muitas vezes carregam cestos de frutos ou flores sobre suas cabeças como cariátides (GISBERT, 2008, p. 46-49). Nas igrejas das missões de Chiquitos, os púlpitos estão sobre suas cabeças.