Fragmento de Cristo crucificado com a cabeça inclinada, pernas levemente fletidas e voltadas para a esquerda, joelhos juntos e pés unidos atravessados por um só cravo. Seus olhos já estão fechados, sinal do abandono do Pai, como foram suas últimas palavras, saídas dos lábios entreabertos e entumecidos pelo gosto do fel. Esta cena da crucificação representa o momento iconográfico do Senhor do Bonfim, em que Cristo, já morto, aparece com a cabeça inerte e pendurada sobre o peito e com os olhos fechados. Há marcas da lança que ultrapassou seu ventre. O escultor não olvidou colocar os detalhes dos mamilos. Uma grande linha elíptica delimita o abdômen arfante. O pano de pureza – o perizônio – possui uma pequena dobra na parte frontal e ampla na lateral. O cíngulo é detalhado, perpassando o fio que sustenta o tecido. Há vestígios de carnação em toda a peça e de brancos no tecido. Na face posterior, a longa cabeleira é o destaque, pelas ondulações que caem sobre as costas. O perizônio é simplificado e o nó é destacado.
Escultura em madeira de buxo com vestígios vestigios de policromia. Faltam os dois braços. Corpo alongado. Cabelo encaracolado, cabeça caida de lado. Belo Cristo sem crucifixo.
Bibliografia
RÉAU, Louis. Iconografía del arte cristiano. Iconografía de la Bíblia. Nuevo Testamento. Barcelona: Ediciones del Serbal, 2008. v. 2, t. 1, p. 494-495.